terça-feira, 9 de junho de 2009

Tokyo Tower: Mom & Me, and Sometimes Dad.

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FILME

Assisti o filme Tokyo Tower no dia 7 de junho de 2009, domingo.

Tokyo Tower: Mom & Me, and Sometimes Dad.
Em japonês Tokyo Tower: okan to boku to tokidoki oton.
Traduzindo
Mom ou okan, mamãe,
Me ou boku, eu e esporadicamente
Dad ou oton, papai.
Sochiku

Tókyo Tower, Makun to okan.

É um drama familiar envolvendo o Makun, sua mãe e pai.
Drama centrada na relação mãe e o talento de Makun, com intervenções esporádicas do pai. Termina com a partida da mãe, rodeada de amigos, do filho e marido e em Tókyo.
São, do que pude notar na película e à primeira vista, dois os pontos básicos da trajetória de Makun. O primeiro ponto é o seu talento e o segundo a sua indolência. Demonstrou inúmeras vêzes a sua resistência em relação à vida, a indolência viria daí. Hesitava nas suas ações, a inadimplencia econômica era a sua invariável companheira.
A sua mãe foi fundamental no seu período de formação, de hesitações.
São mostrado flashes da transformação econômica japonesa: mostrando imagens da Torre de Tókyo ou ela no início da sua construção - numa foto o Nakagawa pai posa na frente dela com um violão -, num outro momento ela construida, em outros servindo de pano de fundo para o drama.
Existe um contraponto notável entre ela e o Entetsu, chaminé, que é uma outra imagem apresentada recursivamente no filme. Entetsu como símbolo da modernização econômica japonêsa.
Entetsu, uma estutura material, moderna, modernização, modernidade ou moderna idade.
Torre de Tókyo, uma estrutura metálica, igualmente material, mas ligada à mas-media nipônica, pós-modernidade: daí a contraposição.
O ¨mas¨ fica por conta do Makun tendo que, digamos, se encontrar em algum ponto entre ou então no entorno destes dois lugares.
Espaços da matéria, seja na forma da Torre ou do Entetsu, base da trama, do drama, das luzes de uma metrópole dinâmica, vibrante, ofuscante da tôrre ou do espaço noturno de Tókyo. De forma que para mim são dois os pontos, por sinal notados intuitivamente pelos Nakagawa. Primeiro do espaço material, da matéria, e o segundo em formação, um tanto quanto etérea como a diáfana Tókyo Night Tower imaterial, das ilustrações dos Nakagawa, de Makun, que foi o espaço onde ele acabou conseguindo se justificar.
Afinal ele tinha talento.
Apesar de tudo girar no entorno de Makun e sua mãe, eles não se distanciaram das origens familires comum ou Kita Kyushu, Kokura, deslocado do centro civilizatório, origens esta mantida pelo Nakagawa pai. Não se distanciaram mas, ao mesmo tempo, o espaço imaterial sempre os acompanhou, seja ela na forma de letras - um dos primeiros frutos de Makun foi um livro -, de sons - Makun trabalhou no rádio -, e imagens na forma de ilustração. Movimento este equivalente a da vó Shigueno.
Foi equivalente e não igual, a começar pela época.
O ano de 1929 foi fundamental para vovó, lhe sugerindo a Terra Basil. Depois disso Santa Fé, de onde então surgiu São Paulo. Para os Nakagawa a Torre de Tókio, sugerida em 1966, apontando para Tókyo, as suas gentes e seus lugares.
Torre como cenário de fundo tendo em primeiro plano os Nakagawas, com eles o brilho da torre, do navio de brinquedo e do butsuzo-ê. Todos estes elementos estiveram presentes nos vários momentos da vida de Makun, assim como dos Nakagawa.
De forma que a transformação do indolente Makun para um Nakagawa demandou tempo. Tanto que aos trinta anos ele ainda requeria a guarda materna. Um pai na forma de luzes, mas indissoluvelmente ligado ao passado: para ele Tokyo devia ser esporádico, como se a cidade não lhe convencesse e tivesse apenas um valor de uso. Makun tinha também este lado do pai, para eles o fixo era, para todos os efeitos, Kokura e as ilustrações atestam isso.
Não é por acaso que o butsuzô-e, uma das ilustrações do pai, permanecia sempre inacabado. Butsuzô-e, butsuzô, butsu, buda, iluminação, enlightenment e essas cousas tinham importância para os Nakagawa e Tókyo?
No final o filho cobra do pai o butsuzô-e, como se Tókyo ainda não estivesse lhe convencendo.
O pai lhe responde que, terminado, lhe enviaria.
Assim como o ponto de partida dos Nakagawa era a parte sul do arquipélado, distante do centro civilizatório ou Tokyo, para a vó Shigueno era a mesma cousa. No caso da vó o retôrno era sempre para Toyoura, início de tudo, o seu eterno ponto de partida.
Torre de Tokyo esporadica para o Nakagawa pai, mas fundamentalmente Tókyo Night Tower para Makun. Por ser espaço da luz, da imaginação, das imagens em ação, que foi para onde, impulsionado pela necessidade e facilitado pelo talento convergiu.
De Makun para Nakagawa, desenvolvimento acompanhado pela Ocan, uma tragetória desaguada no alvorecer de um novo ciclo, como sugeriu o final do drama.
No fundo Makun, personagem ao mesmo tempo central como intermediário, ressente a incompletude proporcionado pelos seus. A tôrre, o entetsu, o butsuzô-e do oton, as demolidoras lógicas das transformações nipônica das décadas de 60, 70 e 80, capturadas pela ocan, fôra sempre um desafio para Makun, solucionado no alvorecer na tôrre.

¨Ocan, hoje o tempo está bom! Não?¨
¨Ocan, arigatou!¨
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