sábado, 13 de junho de 2009

Mensagem Orkut

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SÃO PAULO, CONHECIMENTO, VOVÓ SHIGUENO E ESPORADICAMENTE JOSÉ
- década de 60 e 70 ... -

Em algum dia nosso qualquer lá, bem lá atrás,
papai e mamãe nos lançou para a vida.
Este dia não existiu para nós,
simplesmente porque não entendíamos assim
ou que estávamos sendo lançados.

Nós é que estávamos indo,
éramos os bandeirantes.
Os heróis dos nossos tempos,
dos nossos momentos agora perdidos no passado.

Sei agora porque vovó disse simplesmente... vá.
Era o tudo que deveria ser realmente dito
naquele momento.
Outras palavras mais seriam a mais.
¨Vá, estarei onde sempre estive.
Ao seu lado, à sua espera.¨

Fomos lançamos no mundo assim,
num sublime ato de doação,
cheio de lágrimas, temor e incertezas.

Me lançando a vovó estava, na verdade,
recorrendo a si mesma.

¨Vovó, José, Ocan, arigatou-nê!¨
Agora sei, vocês sabiam que tinha que ser assim.
Não poderia ser de outra maneira.
Reconheço, obrigado por tudo,
pela validade dos nossos tempos
e momentos.

Taninaga

Obs.:- O texto acima é resultado de um anterior, enviado para amigos orkut.
Existem menções à estrutura narrativa do filme ¨Tókio Tower, Mom & Me, and sometimes Dad¨ ou ¨Tókio Tower, ocan to bocu, tokidoki oton.¨
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quarta-feira, 10 de junho de 2009

Torre de Tokyo, o filme.

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FILME

Tokyo Tower: Mom & Me, and Sometimes Dad.
Tôkyô Tawâ: Okan to boku to, tokidoki, oton (2007).
Tokyo Tower: mamãe, eu e de vez em quando papai.
Sochiku, Nippon Television Network Corporation.
Produtor Miyoshi Kikuchi
Produtores Executivo Seiji Okuda, Shigehiro Nakagawa, Sun Chiapang.
Direção de Joji Matsuoka.
Baseado na autobiografia de Lily Franky.


Na foto abaixo e à direita Makun, Joe Odagiri, conduz a sua mãe.

Joe nascido em 16 de fevereiro de 1976 em Tsuyama, Okayama.

Fazia um bom tempo que Makun não tomava as mãos da sua mãe, o faz recordando uma cena parecida e ocorrida a mais de 30 anos atrás. Usava na ocasião um boné amarelo, calça curta e caminhava preocupado em não cair da linha férrea, acompanhando a sua mãe que o conduzia. Agora era ele quem a conduzia, numa aproximação pela adversidade, para o seu internamento hospitalar.

A Torre de Tókyo os uniu, algo que iniciara a muito tempo atrás, e agora servia de cenário onde ambos desempenhavam os seus papéis. A princípio de uma mãe preocupada com o filho e de um filho desconfiado que havia falhado em algum ponto com ela. Ponto este que nem ele mesmo não sabia o certo onde. Talvez a sua indolência ou o de não-se-estar-nem-aí-com-nada, com um dos ¨nada¨ sendo as economias materna. Desconfiança esta dirimida não diretamente pela mãe, mas pela namorada que lhe contou ter sua mãe segredado estar satisfeita com ele.


Que Makun havia, já no início das andanças por Tókyo, recompensado tudo que ela havia feito por ele. E estava contente com o yasashisa do filho, pois entendia que Makun poderia ter se perdido na fria, gélida e dura concretude de Tókyo. De um outrora e mimado filho, de uma certa forma frágil, depois de mais de 15 anos encontrou um filho carinhoso, talentoso e bom de coração.
¨Okan, arigatou-ne!¨ - Makun. Esta é, na verdade, uma frase de Nakagawa ou o do Makun adulto. De um filho que havia reconstruido a história da mãe e reconhecido a importância e relevância do seu papel.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Tokyo Tower: Mom & Me, and Sometimes Dad.

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FILME

Assisti o filme Tokyo Tower no dia 7 de junho de 2009, domingo.

Tokyo Tower: Mom & Me, and Sometimes Dad.
Em japonês Tokyo Tower: okan to boku to tokidoki oton.
Traduzindo
Mom ou okan, mamãe,
Me ou boku, eu e esporadicamente
Dad ou oton, papai.
Sochiku

Tókyo Tower, Makun to okan.

É um drama familiar envolvendo o Makun, sua mãe e pai.
Drama centrada na relação mãe e o talento de Makun, com intervenções esporádicas do pai. Termina com a partida da mãe, rodeada de amigos, do filho e marido e em Tókyo.
São, do que pude notar na película e à primeira vista, dois os pontos básicos da trajetória de Makun. O primeiro ponto é o seu talento e o segundo a sua indolência. Demonstrou inúmeras vêzes a sua resistência em relação à vida, a indolência viria daí. Hesitava nas suas ações, a inadimplencia econômica era a sua invariável companheira.
A sua mãe foi fundamental no seu período de formação, de hesitações.
São mostrado flashes da transformação econômica japonesa: mostrando imagens da Torre de Tókyo ou ela no início da sua construção - numa foto o Nakagawa pai posa na frente dela com um violão -, num outro momento ela construida, em outros servindo de pano de fundo para o drama.
Existe um contraponto notável entre ela e o Entetsu, chaminé, que é uma outra imagem apresentada recursivamente no filme. Entetsu como símbolo da modernização econômica japonêsa.
Entetsu, uma estutura material, moderna, modernização, modernidade ou moderna idade.
Torre de Tókyo, uma estrutura metálica, igualmente material, mas ligada à mas-media nipônica, pós-modernidade: daí a contraposição.
O ¨mas¨ fica por conta do Makun tendo que, digamos, se encontrar em algum ponto entre ou então no entorno destes dois lugares.
Espaços da matéria, seja na forma da Torre ou do Entetsu, base da trama, do drama, das luzes de uma metrópole dinâmica, vibrante, ofuscante da tôrre ou do espaço noturno de Tókyo. De forma que para mim são dois os pontos, por sinal notados intuitivamente pelos Nakagawa. Primeiro do espaço material, da matéria, e o segundo em formação, um tanto quanto etérea como a diáfana Tókyo Night Tower imaterial, das ilustrações dos Nakagawa, de Makun, que foi o espaço onde ele acabou conseguindo se justificar.
Afinal ele tinha talento.
Apesar de tudo girar no entorno de Makun e sua mãe, eles não se distanciaram das origens familires comum ou Kita Kyushu, Kokura, deslocado do centro civilizatório, origens esta mantida pelo Nakagawa pai. Não se distanciaram mas, ao mesmo tempo, o espaço imaterial sempre os acompanhou, seja ela na forma de letras - um dos primeiros frutos de Makun foi um livro -, de sons - Makun trabalhou no rádio -, e imagens na forma de ilustração. Movimento este equivalente a da vó Shigueno.
Foi equivalente e não igual, a começar pela época.
O ano de 1929 foi fundamental para vovó, lhe sugerindo a Terra Basil. Depois disso Santa Fé, de onde então surgiu São Paulo. Para os Nakagawa a Torre de Tókio, sugerida em 1966, apontando para Tókyo, as suas gentes e seus lugares.
Torre como cenário de fundo tendo em primeiro plano os Nakagawas, com eles o brilho da torre, do navio de brinquedo e do butsuzo-ê. Todos estes elementos estiveram presentes nos vários momentos da vida de Makun, assim como dos Nakagawa.
De forma que a transformação do indolente Makun para um Nakagawa demandou tempo. Tanto que aos trinta anos ele ainda requeria a guarda materna. Um pai na forma de luzes, mas indissoluvelmente ligado ao passado: para ele Tokyo devia ser esporádico, como se a cidade não lhe convencesse e tivesse apenas um valor de uso. Makun tinha também este lado do pai, para eles o fixo era, para todos os efeitos, Kokura e as ilustrações atestam isso.
Não é por acaso que o butsuzô-e, uma das ilustrações do pai, permanecia sempre inacabado. Butsuzô-e, butsuzô, butsu, buda, iluminação, enlightenment e essas cousas tinham importância para os Nakagawa e Tókyo?
No final o filho cobra do pai o butsuzô-e, como se Tókyo ainda não estivesse lhe convencendo.
O pai lhe responde que, terminado, lhe enviaria.
Assim como o ponto de partida dos Nakagawa era a parte sul do arquipélado, distante do centro civilizatório ou Tokyo, para a vó Shigueno era a mesma cousa. No caso da vó o retôrno era sempre para Toyoura, início de tudo, o seu eterno ponto de partida.
Torre de Tokyo esporadica para o Nakagawa pai, mas fundamentalmente Tókyo Night Tower para Makun. Por ser espaço da luz, da imaginação, das imagens em ação, que foi para onde, impulsionado pela necessidade e facilitado pelo talento convergiu.
De Makun para Nakagawa, desenvolvimento acompanhado pela Ocan, uma tragetória desaguada no alvorecer de um novo ciclo, como sugeriu o final do drama.
No fundo Makun, personagem ao mesmo tempo central como intermediário, ressente a incompletude proporcionado pelos seus. A tôrre, o entetsu, o butsuzô-e do oton, as demolidoras lógicas das transformações nipônica das décadas de 60, 70 e 80, capturadas pela ocan, fôra sempre um desafio para Makun, solucionado no alvorecer na tôrre.

¨Ocan, hoje o tempo está bom! Não?¨
¨Ocan, arigatou!¨
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