segunda-feira, 26 de novembro de 2007

VIDAS

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Existe a realidade da favela São Marcos em Campinas.
Lugar este ao lado do bairro universitário da Unicamp.
Um bairro importante, uma vez que mantém cérebros funcionando.
Na mesma direção um centro de pesquisa, o CPqD da Telebrás.
Um centro importante, tanto que existe um bunker subterrâneo, de proteção em casos extremos: de guerra, o que poderia ser? Terremoto?...
Caminhei pela São Marcos, ministrei aulas no extinto Mobral - confesso, não fui nada brilhante, ajudei muito pouco, quase nada, a extinguir o analfabetismo no São Marcos.
São Marcos, Unicamp, CPqD são realidades distintas.
Vi de frente o desespero, a desconfiança e a miséria estampada nos rostos dos meus entrevistados.
Num meio termo entre a Higienópolis e São Marcos, e eu lá querendo saber qual era o uso que faziam do Pinho Sol: na completa escuridão.
Nas mãos a prancheta, o papel e a caneta.
Caminhando, caminhando e caminhando pelas ruas da Capital metropolitana.
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terça-feira, 13 de novembro de 2007

ESPAÇO SUBTERRÂNEO

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Preparei uma superfície terrena de 1 metro x 70 cm de área, existe profundidade nela.
A superfície foi pensada para o agrião - Ag -, que tem me surpreendido bastante, mas como existe profundidade ela pode ser estendida para outros tipos de vegetais.
O Ag viveu por um bom tempo no Acqua, um meio essencialmente aquático. E o fez bem, saudável, superando obstáculos e contratempos. O seu crescimento foi fora do comum.
Uma parcela da sua velocidade de reprodução e crescimento deve ser creditado à circulação da água do Acqua, velocidade e circulação.

O Acqua mudou, o substrato que sustentava o Ag foi eliminado juntamente com o mesmo.
Não o perdi uma vez que foi transplantado na terra.
Percebi então uma outra característica no Ag, a de que ele é capaz de sobreviver na terra.
Daí a minha surpresa e a minha admiração por ele; ou pelo fato de ser capaz de sobreviver em ambientes diferentes.
Enfim, e aparentemente, o Ag não diferencia ambientes, uma vez que se mantém tanto na água como na terra. E a partir dessa descoberta é que direcionei o preparo do Espaço Subterrâneo - ES.
Ocorreu então uma nova mudança para o Ag, desta vez para o ES e espero ter acertado com ele.

Na verdade já faz um bom tempo que trabalho no ES.
A superfície natural, constituida por um terreno predominantemente vulcânico, resultado de erupções do Fuji, está acerca de 50 cm abaixo da atual superfície.
Ocorre que todo terreno a partir do atual nível foi retirado, sendo substituido por matéria orgânica e humus: que é a matéria orgânica já trabalhada por micro organismos.
Introduzi produtos químicos concentrados nesse nível, mas tive o cuidado de mantê-los localizado. Entendo que todo concentrado inorgânico é inibidor de vidas.

Na realidade o ES era somente um espaço como um outro qualquer.
Estava ocupado por vasos dos mais variados formatos e tamanhos, os quais reuni na área protegendo-os com um plástico grosso simulando uma estufa. A meta é superar os rigores do inverno 2007.
A partir daí surgiu a idéia de transformar este espaço no ES e, finalmente, a idéia de alocar a sua superfície para o Ag.
- O que ocorrerá com ele?... Não sei e agora não tenho mais acesso ao ES.
Farei questão de acompanhar os seus passos, mas de longe.
Ajustes finos onde achar que posso e devo ajustar serão realizados, não mais do que isso.

O Ag possui um passado.
De uma certa maneira o que foi condicionará o seu presente, mas não deterministicamente: ou o que foi, é e será sempre da mesma forma, criando uma sequência espaço temporal previsível.
Não, não está sendo assim.
Cruzei e preparei um ambiente para que uma nova história fôsse iniciada.
Alea jacta est.

O eixo, o centro, é a matéria orgânica.
- Quais seriam as razões deste centro?
Dentre outras propiciar o surgimento de vidas, à parte dos concentrados - adubos químicos, agrotóxicos etc.
Bactérias, anelídeos, insetos etc formariam um ecosistema subterrâneo tendo como ponto de apôio a matéria orgânica alocada.
Essa postura pode ser observada na prática, veja o link abaixo.

http://www.permacultura-bahia.org.br/policultura.asp#

Observe o que a Permacultura baiana está introduzindo no solo local, em uma das suas fotos é possível observar a utilização da técnica apresentada acima.
Enfim, recuperação da vida sistêmica.
Homem integrado à vida microorgânica, vegetal e animal, da qual está afastado.
Integração dos homens junto aos demais reinos da natureza.

Tani
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