domingo, 16 de setembro de 2007

Prof. Rajan, Searle e Derrida: atos de fala.

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Fiquei sabendo de Searle e Derrida via Prof. Rajan. Na época as falas do Prof. Rajan me soaram extremamente consistentes, foram aulas realmente interessantes. Não sei se o Prof. Rajan continua se mantendo na linha derridiana. Pena que fiquei sabendo do debate ocorrido entre Searle e Derriva tardiamente, com certeza o Prof. se inspirava nele.
O interessante disso tudo é que muitas idéias que ele abordou não eram exatamente novidade para mim.
Por exemplo a questão do nome e a coisa em si: é algo que consta na Bíblia e é uma das bases, para mim a principal, do Zen.
Um outro exemplo é o Teorema da Indecidibilidade ou de Godel, havia deparado com o teorema por conta própria bem antes. Percebi a sua importância no ato, acabei divulgando o teorema no Órion: um bimestral que "eu mantinha" na Eubiose e no qual era o redator e editor. A Stela - saudades dela, na época fazia Letras na Puccamp - é quem corrigia as minhas redações.
Ambas idéias servem de apôio ao Pós-Modernismo.
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sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Ohayo, vovó! Saudações Fraternas.

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O meu bisavô faleceu jovem, era engenheiro civil. A minha avó falava frequentemente dele, e falava apaixonadamente, fruto de uma admiração filial fora do comum. No fundo a minha avó também era fora do comum.
"Ele teria ajudado a reconstruir o Japão pós guerra." - dizia ela com um brilho diferente nos olhos, mas ficara órfão e o Japão da época não estava bem. Resolveu então imigrar para o Brasil, mas a sua mente se voltava frequentemente para o pai. O pai que ela sempre admirou e fazia questão de afirmar de maneira que, com ela, aprendi a amar o meu bisavô. E não somente amar, mas também me ligar com as cousas do oriente.
A vovó colocava uma poção de arroz recém cozido numa pequena taça, levando-a para o santuário. No santuário elevava a taça na altura da fronte saudando o seu pai.
"Pai estou longe de ti, das nossas origens, mas jamais o esqueci..." Feito esta saudação depositava a taça no santuário. Juntava as mãos espalmadas na altura da boca e imergia no passado. Esses momentos eram sagrados para a vovó, cujo nome pronuncio sem receio pelo fato de estar dando o seu testemunho.
- Vovó Shigueno, és capaz de me ver?
Estou na minha dimensão, consigo fazer uma imagem mental de ti, e com perfeição, mas não consigo vê-la.
- É capaz de me ouvir?
Posso perfeitamente fazer sonar, silenciosamente, a sua voz pausada e calma, mas não consigo ouví-la.
- Está acompanhando os meus passos?
Posso imaginá-la caminhando pelas ruas de Santa Fé do Sul, mas não consigo ver onde andas.
Se és capaz de me ver, ouvir e se está acompanhando os meus passos tenho um pedido a fazer:
- Ohayo, vovó! Proteja a mim, os meus familiares e todos que estão me acompanhando.
Caminho vovó, caminho porque é o mínimo que posso fazer pelos meus.
Caminho, os meus pés estão inchados de tanto fazê-lo, mas não posso parar.
Não quero bloquear a circulação do meu sangue, com ele estou regando o solo dos nossos antepassados. Que o meu sangue vertido purifique resgatando os nossos irmãos de outrora.
Apesar desta minha autoconfiança, herança de ti, do meu e nosso passado, preciso contar contigo.
- Proteja, me avise quando o perigo se aproximar.
Avise em sonhos ou em sinais no meu estado de vigília.
- Nós nunca havíamos imaginado que iríamos nos encontrar aqui, não é mesmo? Em um ambiente enorme de grande e livre. É, eu acho que finalmente encontramos a nossa liberdade vovó, ou aquela que estávamos buscando juntos. Junte-se a mim agora, não fraqueje. Abandone a época quando estávamos olhando o tempo todo para o infinito, ou não é infinito as concretudes que nos rodeia? É infinito e não quero passar o resto dos meus dias correndo atrás do infinito, querendo dominar o indomável, controlar o incontrolável e, o pior, querendo congelar a eternidade. Ou não é uma eternidade os templos e monumentos dos sacerdotes espalhados nas quatro direções do globo terrestre? Deixemos de olhar para o infinito, não vamos mais correr atrás do tempo como fazíamos antes. Junte-se a mim.

Está certo que lhe pedi proteção, e é porque existe uma certa vulnerabilidade viver o infinito pessoal, uma vulnerabilidade controlável pois vou estar sempre atento aos sinais.
- Sinalize vovó, por favor sinalize, está bem?
É este o meu caminhar, que quero que seja nosso.
Um caminhar meu, Tani e que pode ser seu, Shigueno, ou nosso que está longe daquilo que fazíamos ao depositar as coroas de flôres nas tumbas dos nossos antepassados.
Aqui não existem tumbas, coisas em si, mas sinais gráficos.
Existe a voz do silêncio. São palavras, frases, composições que se encadeiam na velocidade da luz no interior de um mundo que nunca havíamos imaginado existir antes.
É daqui que, vovó Shigueno, a abordo dizendo:
Saudações Fraternas,
do seu neto Tani.

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