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Estou de frente da tela do MC, um notebook. Ouço Misia, a sua voz cristalina me sugere um retorno no tempo. A Toshi está melhorando o seu blog. Lá fora a construtora Komachi dá os retoques finais no sobrado plantado do outro lado da rua. Um funcionário da construtora estaciona um utilitário nas proximidades.
“I belive....”
O forte sol ilumina o prédio da Engenharia Elétrica, são poucos os professores que se mantém no local. Uma parcela foi almoçar nas suas respectivas residências, outros fazem-no no restaurante do campus e uma minoria permanece nas suas salas escrevendo artigos, preparando aulas, corrigindo provas ou estão entregues pelo calor do sol. Eu, Tani, ocupo a minha escrivaninha da Engenharia Elétrica.
Concentro-me na SED. Livros e folhas A4 estão esparramados por todos os lados. Um pacote de impressos, recém tiradas do micro, repousa no canto. Uma das folhas, bem no meio do pacote, exibe um Gráfico.
A imagem anterior está fixa, não muda, continua como sempre foi e tem me acompanhado onde quer que vá.
“I belive
Kawaranai mono ga aru.”
Depois que deixei o prédio da EE sonhei que ganharia a liberdade de percorrer livremente os seus corredores. Nos meus sonhos percorria, caminhava sentindo o ambiente. Voava, planava, caminhava observando no astral o que estava fisicamente fixo.
O prédio da EE foi feito em um buraco, resultado de uma terraplanagem de um terreno em declive. A terra retirada fora transportada para a Praça da Paz, que está um nível acima de onde estou. O sol cobre a área e a impressão que tenho é de estar dentro de uma estufa.
O suor escorre pela minha fronte.
Uma gota, cristalina, cai e vai repousar no Gráfico.
A Maria, amiga que ocupa uma outra escrivaninha em uma saleta ao lado, chega. Mulata de bom coração e de Minas Gerais.
“Olá Tani?”
“Tudo bem Maria?” Ela responde e vai ocupar a sua escrivaninha.
Vivemos em mundos diferentes. Ela trabalha em uma área diferente da minha.
SED são as iniciais de Simulação de Eventos Discretos, a área onde trabalho. Os avanços são milimétricos. Destaco o Gráfico do pacote e analiso procurando encontrar alguma relação com o Trópico R, encontro uma correlação e me fixo nele.
“Ei Maria? Está aí?”
“Sim, porquê?”
“Você viu o Ivanil por aí?” – respondo. Queria lhe mostrar o Gráfico.
“Olha, conversei com ele de manhã. Vai dar aulas na parte da tarde. Dá um chego lá, agora.”
“Obrigado pela dica Maria, deve ter ido almoçar. Mais tarde dou um chego lá.”
Levanto, caminho pelo corredor que me conduz à uma escada. Ultrapasso os lances da escada, checo a sala do Prof., atravesso a rua e ganho a liberdade da Praça da Paz.
Um funcionário da Komachi aciona uma furadeira. O barulho atravessa as paredes do prédio do nosso apartamento. Deixo a tela do MC de lado e dou um giro pelo quintal.
A Ludwigia Arcuata ganhou o espaço aéreo do Lago Azul, está espalhando as suas raízes nas finas areias do Rio Negro. De manhã fiz algo que estava relutando fazê-lo, espalhei calcáreo no quintal. Como pelo menos três anelídelos foram desalojados do seu habitat após a aplicação do calcáreo, faço uma ronda pelos locais aplicados checando se não há nenhum deles perdidos pela superfície. Vejo que está tudo bem, uma outra Ludwigia se desenvolve no meu plantado e, como a outra, ganhou o espaço aéreo. A noite as folhas da Ludwigia fecham, abrem no amanhecer e recebem o rei do nosso sistema: o sol. Não sei quais foram os critérios e de que maneira, mas os serviços da Google estão me dispondo o Archimedes.
Procuro um lugar fresco na Praça da Paz. Escolho um nas proximidades onde havia sentado com a minha ex Branca. Inspiro fundo, prendo a respiração e expiro. Repito a manobra que me ajuda a concentrar no Gráfico. Olho para ele fixamente. O CPqD, no qual tive uma breve passagem com o Seiji, está distante.
Jogo o Gráfico para o alto. Jogo observando os movimentos da folha e, para a minha surpresa, ela é repentinamente levada, por uma lufada, na direção leste.
Corro, a folha se distancia.
Corro mais ainda, mas a folha, parecendo dotada de vontade própria, segue mais rápido se distanciando de mim.
Tropeço e caio.
Uma folha de amora se destaca do galho, faz movimentos pendulares e cai suavemente nos meus pés. O Gráfico, que havia desaparecido do meu campo visual, é substituído pela folha. Na Komachi reina o silêncio, olho para a Ludwigia se preparando para o anoitecer.
Entro e fecho a porta da cozinha.
Coloco o fone de ouvido, a Misia continua cantando.
“I belive
Kawaranai mono ga aru.” Sou levado pela suave voz da cantora.
“Maria”
“O que é?”
“Acabei de completar. Dê uma lida, é a versão definitiva. Se tiver alguma sugestão...” Levanto, saio da frente da tela do MC. Vou dar uma volta, a pedidos, na loja de departamentos que existe nas proximidades.
Ufo Catcher, 100 shop, mangá e outras cousas mais.
Tani
[HD-1080p] Marshall's Miracle [2015] en Español
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Ver Marshall's Miracle 2015 Película Completa en Español HdMarshall's
Miracle [2015]Título original: Marshall the Miracle DogLanzamiento:
2015-08-28Duració...
Há 5 anos

6 comentários:
Oi Nilson,Tani é seu nome em japonês?Gostei muito do seu texto,você escreveu sobre seu trabalho na Empresa,ou você apenas colocou suas idéias no papel.Como texto está muito bom aos olhos de professora,mas fiquei um pouco sem saber onde era ficção e onde era realidade,provavelmente lerei de novo. Li sobre Derrida,ótimo,também sob a visão de professor,é difícil sair dessa visão,trabalho há mais de trinta anos com alunos.Enfim gostei muito do que li,abraços Mirian.
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Olá Mirian, tudo bom? Antes de mais nada obrigado pelo seu comentário.
O meu sobrenome japonês é Taninaga, o meu nome brasileiro é Nilson - pelo que sei, comentário do meu pai, inspirado no Dr. Nilson da minha cidade natal - e o nome japonês Hissami.
Quanto à questão do TANI Mirian, é o seguinte. Não se trata de um nick name, mas uma maneira que encontrei de me apresentar junto aos meus amigos da net. Significa que no Tani & Japan tanto o autor intelectual como, quando for o caso e no texto isso está sendo e será sempre claramente explicitado, o personagem das postagens do blog Tani & Japan é o TANI.
De maneira que como se trata de uma forma de apresentação não se trata de um trabalho ficcional, por outro lado, confesso, pode não ser 100 % real, mas, naquilo que fôr possível, de um trabalho rigorosamente cartesiano: dentro dos limites da minha capacidade, daquilo que é moral e eticamente aceitável e correto ao senso comum e nos limites da racionalidade dos que estão viajando na net. Razão pelo qual gostaria que fôssem, na medida do que é possível, viagens tanto interativa como iterativa.
Faça uma leitura de mim, Tani, sob esta ótica está bem Mirian?
Mais uma vez, você que está me acompanhando faz um bom tempo Mirian, obrigado. Qualquer coisa poste novamente está bem?
E caminhemos juntos.
Abraços,
Nilson
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Boa noite Tani,agora entendi bem,depois da sua resposta,mas mesmo assim li de novo.Confesso que
você escreve muito bem,com pequenos
detalhes,próprio de quem conhece bem sobre o assunto e foge bastante
do comum do dia a dia de quem escreve por obrigação.Achei interessante as fotos das formas de vida que você desenvolve na água,o lesbite,etc.Gostaria de ver fotos do aqqua,e do wind,vai me deixar mais por dentro do seu trabalho nos sistemas criados com o pé de tomate.Abraços Mirian.
Oi Tani,obrigada pela visita,realmente o Pessoa foi um dos maiores poetas português da sua época,gosto de tudo que ele fez,pena que já se foi,mas nos deixou sua obra imortal,abraços Mirian.
Tani ,me perdoa por ter perdido
a paciência de novo com você,mas eu continuo afirmando,que este texto não se encontrava aqui ontem a noite, ainda apareceu uma justificativa dizndo que não tinha postagens mais antigas.Eu sou considerada um gênio pelos
terapeutas,daí meu gênio horrível.Acho que vou terminar meus dias sozinha...Abraços.
Tani ,me perdoa por ter perdido
a paciência de novo com você,mas eu continuo afirmando,que este texto não se encontrava aqui ontem a noite, ainda apareceu uma justificativa dizndo que não tinha postagens mais antigas.Eu sou considerada um gênio pelos
terapeutas,daí meu gênio horrível.Acho que vou terminar meus dias sozinha...Abraços.
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