segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

LIMITED INC: ANO NOVO, RENOVAÇÃO DOS TEMPOS



.
Pego o livro de capa branca que repousa na minha escrivaninha e abro.
Uma palavra me chama atenção: "iteração".
Fecho o livro, respiro fundo e me vem imagens do Prof. Dr. Raja.
A sala de aula está cheia de jovens interessados na fala do Prof.
O que diz preenche cada recanto da área.
Estou em uma das primeiras fileiras da sala.


Tudo me é familiar:
o quadro negro, as carteiras
- por sinal mais simples do que as do primário do São Marcos -,
o apagador e o giz.
O giz branco reina em vários tamanhos: grande, pequeno, médio e em vários formatos.
Um montículo de pó branco repousa no canto esquerdo do quadro negro.
Não se vê nenhuma cor no quadro, somente o giz branco contrapõe o preto do mesmo.

Tudo me é familiar:
a fala do Prof. Raja, suas mensagens
- por sinal mais simples do que as da Sociedade -,
as ideias que desenvolve e o tom da sua voz.
Ele reina na área, faz uma citação e eu, prontamente, interfiro:
- É isso mesmo! Ele sorri maliciosa e significativamente
.
Namastê Prof. Raja!

Como me é igualmente significativo a posição do Djalma.
Para ele o sistema é tudo ou quase tudo, o governo, a polícia e a política.
Tem náuseas, sente uma repulsão visceral a tudo que lembra poder.
Leva esta posição ao extremo.
Namastê Djalma!

Passado décadas podemos contar nos dedos as nossas referências.
De maneira que não estou tão diferente do Djalma:

em cujos tempos os engravatados eram os outros,
e tínhamos um discurso negativo em relação ao mundo.
Agora não, as gravatas é que são coroadas pelos tempos,
e continuamos com o mesmo rápido e negativo discurso.

O importante é que sentíamos a unidade,
éramos os donos dos nossos tempos.
Não me era difícil falar com o Prof. Dr. Raja,
o Djalma, o Prof. Ivanil, o Henrique e o Prof. Fernando.
Mais fácil ainda falar do Prof. Henrique,
de HPB a qual ousei tentar escrever sobre...
Elaborávamos os nossos tempos.

É necessário continuar, iterar.
Iterar renovando as letras, os tempos.
Mesmo que isso soe um tanto quanto Limited Inc:
o do mestre Derrida.
Mesmo que isso soe um tanto quanto familiar:
para mim e quem estiver me acompanhando.
Namastê!

01.01.2008 - Tani
.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

VIDAS

.
Existe a realidade da favela São Marcos em Campinas.
Lugar este ao lado do bairro universitário da Unicamp.
Um bairro importante, uma vez que mantém cérebros funcionando.
Na mesma direção um centro de pesquisa, o CPqD da Telebrás.
Um centro importante, tanto que existe um bunker subterrâneo, de proteção em casos extremos: de guerra, o que poderia ser? Terremoto?...
Caminhei pela São Marcos, ministrei aulas no extinto Mobral - confesso, não fui nada brilhante, ajudei muito pouco, quase nada, a extinguir o analfabetismo no São Marcos.
São Marcos, Unicamp, CPqD são realidades distintas.
Vi de frente o desespero, a desconfiança e a miséria estampada nos rostos dos meus entrevistados.
Num meio termo entre a Higienópolis e São Marcos, e eu lá querendo saber qual era o uso que faziam do Pinho Sol: na completa escuridão.
Nas mãos a prancheta, o papel e a caneta.
Caminhando, caminhando e caminhando pelas ruas da Capital metropolitana.
.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

ESPAÇO SUBTERRÂNEO

.
Preparei uma superfície terrena de 1 metro x 70 cm de área, existe profundidade nela.
A superfície foi pensada para o agrião - Ag -, que tem me surpreendido bastante, mas como existe profundidade ela pode ser estendida para outros tipos de vegetais.
O Ag viveu por um bom tempo no Acqua, um meio essencialmente aquático. E o fez bem, saudável, superando obstáculos e contratempos. O seu crescimento foi fora do comum.
Uma parcela da sua velocidade de reprodução e crescimento deve ser creditado à circulação da água do Acqua, velocidade e circulação.

O Acqua mudou, o substrato que sustentava o Ag foi eliminado juntamente com o mesmo.
Não o perdi uma vez que foi transplantado na terra.
Percebi então uma outra característica no Ag, a de que ele é capaz de sobreviver na terra.
Daí a minha surpresa e a minha admiração por ele; ou pelo fato de ser capaz de sobreviver em ambientes diferentes.
Enfim, e aparentemente, o Ag não diferencia ambientes, uma vez que se mantém tanto na água como na terra. E a partir dessa descoberta é que direcionei o preparo do Espaço Subterrâneo - ES.
Ocorreu então uma nova mudança para o Ag, desta vez para o ES e espero ter acertado com ele.

Na verdade já faz um bom tempo que trabalho no ES.
A superfície natural, constituida por um terreno predominantemente vulcânico, resultado de erupções do Fuji, está acerca de 50 cm abaixo da atual superfície.
Ocorre que todo terreno a partir do atual nível foi retirado, sendo substituido por matéria orgânica e humus: que é a matéria orgânica já trabalhada por micro organismos.
Introduzi produtos químicos concentrados nesse nível, mas tive o cuidado de mantê-los localizado. Entendo que todo concentrado inorgânico é inibidor de vidas.

Na realidade o ES era somente um espaço como um outro qualquer.
Estava ocupado por vasos dos mais variados formatos e tamanhos, os quais reuni na área protegendo-os com um plástico grosso simulando uma estufa. A meta é superar os rigores do inverno 2007.
A partir daí surgiu a idéia de transformar este espaço no ES e, finalmente, a idéia de alocar a sua superfície para o Ag.
- O que ocorrerá com ele?... Não sei e agora não tenho mais acesso ao ES.
Farei questão de acompanhar os seus passos, mas de longe.
Ajustes finos onde achar que posso e devo ajustar serão realizados, não mais do que isso.

O Ag possui um passado.
De uma certa maneira o que foi condicionará o seu presente, mas não deterministicamente: ou o que foi, é e será sempre da mesma forma, criando uma sequência espaço temporal previsível.
Não, não está sendo assim.
Cruzei e preparei um ambiente para que uma nova história fôsse iniciada.
Alea jacta est.

O eixo, o centro, é a matéria orgânica.
- Quais seriam as razões deste centro?
Dentre outras propiciar o surgimento de vidas, à parte dos concentrados - adubos químicos, agrotóxicos etc.
Bactérias, anelídeos, insetos etc formariam um ecosistema subterrâneo tendo como ponto de apôio a matéria orgânica alocada.
Essa postura pode ser observada na prática, veja o link abaixo.

http://www.permacultura-bahia.org.br/policultura.asp#

Observe o que a Permacultura baiana está introduzindo no solo local, em uma das suas fotos é possível observar a utilização da técnica apresentada acima.
Enfim, recuperação da vida sistêmica.
Homem integrado à vida microorgânica, vegetal e animal, da qual está afastado.
Integração dos homens junto aos demais reinos da natureza.

Tani
.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

ESPAÇO, TEMPO e LUZ.

.
Comentando CIRCULAÇÃO e VELOCIDADE

O meu amigo Henry recordou do Ferreira ao ler Circulação e Velocidade - CV. Diz ele:
¨Há algo de Ferreiristo neste texto, como o conceito de espaço, tempo e luz
É uma observação interessante e faço alguns comentários abaixo.
Escrevi CV pensando no Acqua, que atualmente é composto por 7 sub sistemas.
- Porquê circulação?
Circulação pelo fato da água circular pelos sub-sistemas, possível devido o funcionamento de três bombas. O ponto de partida e chegada da água são as bombas. Neste aspécto existe algo análogo entre o Acqua e o organismo humano, o segundo mantém, através do coração, duas circulações: a pequena e a grande circulação.
- Porquê velocidade?
Velocidade pelo fato da água do Acqua circular com um determinado fluxo/velocidade através dos substratos dos sub-sistemas.
De maneira que tanto o conceito de circulação como o de velocidade (v) são redutíveis aos conceito de espaço (s) e tempo (t), o Henry detectou intuitivamente esta possibilidade. E notou também ecos de Ferreira, pelo fato do mesmo utilizar esses conceitos nos seus escritos.
Observe que a velocidade pode ser descrita através da seguinte equação matemática:
v = D s / D t, o que vem monstrar a redução.
- Porquê luz (c)?

continua...
.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

VI, O QUE FAZER?

.
Eu vi amigos se jogando no mundo.
Expoentes de uma geração inteira perdendo-se na escuridão da noite.
O frio vem e o sol tarda aparecer.
O que fazer?

Eu vi.
Um deles sem teto entre os prédios pontiagudos de Tókyo.
Dois deles se perderem em pontas de cordas,
dependurados no sopé do sagrado Fuji.
Inúmero deles andando como robôs.
Eu vi e volto-me a ti conhecidos,
amigos comuns de todos nós.

Sei, suas vidas que não possuem preços...
Não são resgatáveis por pensamentos,
registrados seja onde for.
Posso inspirar fundo e falar alto:- Eu os amo.
Sei, o som morrerá comigo...
Posso chamá-los para um encontro num palco,
para assim eu lhes contar a minha história.
Sei, serei um a mais a pleitear os focos de holofotes.
Fazendo de vocês meros espectadores...

O que fazer?
É nesse contexto que fiz o meu texto,
uma frase síntese:- A dignidade está no caminho da ação.
Fiz, enuncio e assino embaixo.

Tani
.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

CAMINHO DA AÇÃO

.
Citarei aqui o nome de um samurai que, em muitos aspectos, está longe da minha trajetória pessoal.
Trata-se do mais famoso espadachim japonês, surgido quando o Japão passava pela sua Idade Média, conhecido pelo nome de Miyamoto Musashi.
Mas pelo menos em um ponto somos iguais, o qual enuncio em uma única frase:
¨A dignidade está no caminho da ação.¨
Ou seja, haja, haja sempre, a todo momento e a todo instante.
E com uma ressalva, ela deve estar, e no mínimo intencionalmente,
ligada à vida e não à morte.
E para que isso ocorra é, no mínimo, necessário observarmos a todo instante o nosso universo.
Comparando-o com a realidade que nos envolve.
Ambos universo e realidade devem se fundir.
Pela nossa transformação em vida consciência.
.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

MENINICE*

.
Quando tinha 10 eu empurrava arquinhos de aço pelas ruas da cidade.
Um poço de energia.
Aprendi andar numa bicicleta de adultos.
Levei tombos, graças a Deus nenhum deles sério.
Uma ocasião decorei a aula de uma professora.
Não foi proposital, mas calhou um repasse para um colega faltoso.
Fiquei orgulhoso do feito, tinha lá os meus 9.
Aos 11 o primeiro amor, nada além de olhares.
Olhares à distância, de 5 metros a mais.
Nada de estar juntos pois isso não existia para mim.
Andar de mãos dadas e abraçar o que é isso?
Isso não existia para mim, os olhares eram o tudo.
Sabia ser correspondido e a unidade estava feita.
Olhares e estremecimentos nos corpos, emoções.
Tudo isso são acontecimentos que ficaram no tempo, são cousas do passado.
Agora casado recordo os tempos ingênuos, lindos e angelical.
No repasse do belo recordo a meninice,
pela reentronização da pureza existencial.

Nilson
.

*Texto enviado para amigos orkut, 08out2007.

domingo, 16 de setembro de 2007

Prof. Rajan, Searle e Derrida: atos de fala.

.
Fiquei sabendo de Searle e Derrida via Prof. Rajan. Na época as falas do Prof. Rajan me soaram extremamente consistentes, foram aulas realmente interessantes. Não sei se o Prof. Rajan continua se mantendo na linha derridiana. Pena que fiquei sabendo do debate ocorrido entre Searle e Derriva tardiamente, com certeza o Prof. se inspirava nele.
O interessante disso tudo é que muitas idéias que ele abordou não eram exatamente novidade para mim.
Por exemplo a questão do nome e a coisa em si: é algo que consta na Bíblia e é uma das bases, para mim a principal, do Zen.
Um outro exemplo é o Teorema da Indecidibilidade ou de Godel, havia deparado com o teorema por conta própria bem antes. Percebi a sua importância no ato, acabei divulgando o teorema no Órion: um bimestral que "eu mantinha" na Eubiose e no qual era o redator e editor. A Stela - saudades dela, na época fazia Letras na Puccamp - é quem corrigia as minhas redações.
Ambas idéias servem de apôio ao Pós-Modernismo.
.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Ohayo, vovó! Saudações Fraternas.

.
O meu bisavô faleceu jovem, era engenheiro civil. A minha avó falava frequentemente dele, e falava apaixonadamente, fruto de uma admiração filial fora do comum. No fundo a minha avó também era fora do comum.
"Ele teria ajudado a reconstruir o Japão pós guerra." - dizia ela com um brilho diferente nos olhos, mas ficara órfão e o Japão da época não estava bem. Resolveu então imigrar para o Brasil, mas a sua mente se voltava frequentemente para o pai. O pai que ela sempre admirou e fazia questão de afirmar de maneira que, com ela, aprendi a amar o meu bisavô. E não somente amar, mas também me ligar com as cousas do oriente.
A vovó colocava uma poção de arroz recém cozido numa pequena taça, levando-a para o santuário. No santuário elevava a taça na altura da fronte saudando o seu pai.
"Pai estou longe de ti, das nossas origens, mas jamais o esqueci..." Feito esta saudação depositava a taça no santuário. Juntava as mãos espalmadas na altura da boca e imergia no passado. Esses momentos eram sagrados para a vovó, cujo nome pronuncio sem receio pelo fato de estar dando o seu testemunho.
- Vovó Shigueno, és capaz de me ver?
Estou na minha dimensão, consigo fazer uma imagem mental de ti, e com perfeição, mas não consigo vê-la.
- É capaz de me ouvir?
Posso perfeitamente fazer sonar, silenciosamente, a sua voz pausada e calma, mas não consigo ouví-la.
- Está acompanhando os meus passos?
Posso imaginá-la caminhando pelas ruas de Santa Fé do Sul, mas não consigo ver onde andas.
Se és capaz de me ver, ouvir e se está acompanhando os meus passos tenho um pedido a fazer:
- Ohayo, vovó! Proteja a mim, os meus familiares e todos que estão me acompanhando.
Caminho vovó, caminho porque é o mínimo que posso fazer pelos meus.
Caminho, os meus pés estão inchados de tanto fazê-lo, mas não posso parar.
Não quero bloquear a circulação do meu sangue, com ele estou regando o solo dos nossos antepassados. Que o meu sangue vertido purifique resgatando os nossos irmãos de outrora.
Apesar desta minha autoconfiança, herança de ti, do meu e nosso passado, preciso contar contigo.
- Proteja, me avise quando o perigo se aproximar.
Avise em sonhos ou em sinais no meu estado de vigília.
- Nós nunca havíamos imaginado que iríamos nos encontrar aqui, não é mesmo? Em um ambiente enorme de grande e livre. É, eu acho que finalmente encontramos a nossa liberdade vovó, ou aquela que estávamos buscando juntos. Junte-se a mim agora, não fraqueje. Abandone a época quando estávamos olhando o tempo todo para o infinito, ou não é infinito as concretudes que nos rodeia? É infinito e não quero passar o resto dos meus dias correndo atrás do infinito, querendo dominar o indomável, controlar o incontrolável e, o pior, querendo congelar a eternidade. Ou não é uma eternidade os templos e monumentos dos sacerdotes espalhados nas quatro direções do globo terrestre? Deixemos de olhar para o infinito, não vamos mais correr atrás do tempo como fazíamos antes. Junte-se a mim.

Está certo que lhe pedi proteção, e é porque existe uma certa vulnerabilidade viver o infinito pessoal, uma vulnerabilidade controlável pois vou estar sempre atento aos sinais.
- Sinalize vovó, por favor sinalize, está bem?
É este o meu caminhar, que quero que seja nosso.
Um caminhar meu, Tani e que pode ser seu, Shigueno, ou nosso que está longe daquilo que fazíamos ao depositar as coroas de flôres nas tumbas dos nossos antepassados.
Aqui não existem tumbas, coisas em si, mas sinais gráficos.
Existe a voz do silêncio. São palavras, frases, composições que se encadeiam na velocidade da luz no interior de um mundo que nunca havíamos imaginado existir antes.
É daqui que, vovó Shigueno, a abordo dizendo:
Saudações Fraternas,
do seu neto Tani.

.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Janelas para o mundo.

.
Escrevi o poema "Janelas para o mundo" no dia 14 de julho de 2007, o qual foi enviado para inúmeros amigos do orkut.

JANELAS PARA O MUNDO

Dei o meu “Parabéns” para a Lúcia.
“Lúcia, bom dia!
Feliz aniversário...”
Uma mensagem, um clic e pedi a visao de tudo.
Um clic e a janela se fechou para mim, uma outra janela do outro lado do mundo abriu para a Lúcia.
As palavras se foram, elas já não me pertencem mais.
Foram passadas para a Lúcia, para o mundo.
Mundo, grande mundo plano, sem teto, sem paredes e feito de luz.
Amigos, colegas e desconhecidos passam pela mensagem, pronunciam as mesmas palavras.
Que já não são mais minhas, mas que podem ser transferidas para outras janelas.
Janelas que podem se fechar, e abrirem para outros lados do mundo.
Que o amor seja disseminado.
Que a paz seja bendita.
Entre os homens de todos os mundos.
.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

SED, SIMULAÇÃO, REPRESENTAÇÃO

.

Estou de frente da tela do MC, um notebook. Ouço Misia, a sua voz cristalina me sugere um retorno no tempo. A Toshi está melhorando o seu blog. Lá fora a construtora Komachi dá os retoques finais no sobrado plantado do outro lado da rua. Um funcionário da construtora estaciona um utilitário nas proximidades.
“I belive....”
O forte sol ilumina o prédio da Engenharia Elétrica, são poucos os professores que se mantém no local. Uma parcela foi almoçar nas suas respectivas residências, outros fazem-no no restaurante do campus e uma minoria permanece nas suas salas escrevendo artigos, preparando aulas, corrigindo provas ou estão entregues pelo calor do sol. Eu, Tani, ocupo a minha escrivaninha da Engenharia Elétrica.
Concentro-me na SED. Livros e folhas A4 estão esparramados por todos os lados. Um pacote de impressos, recém tiradas do micro, repousa no canto. Uma das folhas, bem no meio do pacote, exibe um Gráfico.
A imagem anterior está fixa, não muda, continua como sempre foi e tem me acompanhado onde quer que vá.
“I belive
Kawaranai mono ga aru.”
Depois que deixei o prédio da EE sonhei que ganharia a liberdade de percorrer livremente os seus corredores. Nos meus sonhos percorria, caminhava sentindo o ambiente. Voava, planava, caminhava observando no astral o que estava fisicamente fixo.
O prédio da EE foi feito em um buraco, resultado de uma terraplanagem de um terreno em declive. A terra retirada fora transportada para a Praça da Paz, que está um nível acima de onde estou. O sol cobre a área e a impressão que tenho é de estar dentro de uma estufa.
O suor escorre pela minha fronte.
Uma gota, cristalina, cai e vai repousar no Gráfico.
A Maria, amiga que ocupa uma outra escrivaninha em uma saleta ao lado, chega. Mulata de bom coração e de Minas Gerais.
“Olá Tani?”
“Tudo bem Maria?” Ela responde e vai ocupar a sua escrivaninha.
Vivemos em mundos diferentes. Ela trabalha em uma área diferente da minha.
SED são as iniciais de Simulação de Eventos Discretos, a área onde trabalho. Os avanços são milimétricos. Destaco o Gráfico do pacote e analiso procurando encontrar alguma relação com o Trópico R, encontro uma correlação e me fixo nele.
“Ei Maria? Está aí?”
“Sim, porquê?”
“Você viu o Ivanil por aí?” – respondo. Queria lhe mostrar o Gráfico.
“Olha, conversei com ele de manhã. Vai dar aulas na parte da tarde. Dá um chego lá, agora.”
“Obrigado pela dica Maria, deve ter ido almoçar. Mais tarde dou um chego lá.”
Levanto, caminho pelo corredor que me conduz à uma escada. Ultrapasso os lances da escada, checo a sala do Prof., atravesso a rua e ganho a liberdade da Praça da Paz.

Um funcionário da Komachi aciona uma furadeira. O barulho atravessa as paredes do prédio do nosso apartamento. Deixo a tela do MC de lado e dou um giro pelo quintal.
A Ludwigia Arcuata ganhou o espaço aéreo do Lago Azul, está espalhando as suas raízes nas finas areias do Rio Negro. De manhã fiz algo que estava relutando fazê-lo, espalhei calcáreo no quintal. Como pelo menos três anelídelos foram desalojados do seu habitat após a aplicação do calcáreo, faço uma ronda pelos locais aplicados checando se não há nenhum deles perdidos pela superfície. Vejo que está tudo bem, uma outra Ludwigia se desenvolve no meu plantado e, como a outra, ganhou o espaço aéreo. A noite as folhas da Ludwigia fecham, abrem no amanhecer e recebem o rei do nosso sistema: o sol. Não sei quais foram os critérios e de que maneira, mas os serviços da Google estão me dispondo o Archimedes.
Procuro um lugar fresco na Praça da Paz. Escolho um nas proximidades onde havia sentado com a minha ex Branca. Inspiro fundo, prendo a respiração e expiro. Repito a manobra que me ajuda a concentrar no Gráfico. Olho para ele fixamente. O CPqD, no qual tive uma breve passagem com o Seiji, está distante.
Jogo o Gráfico para o alto. Jogo observando os movimentos da folha e, para a minha surpresa, ela é repentinamente levada, por uma lufada, na direção leste.
Corro, a folha se distancia.
Corro mais ainda, mas a folha, parecendo dotada de vontade própria, segue mais rápido se distanciando de mim.
Tropeço e caio.

Uma folha de amora se destaca do galho, faz movimentos pendulares e cai suavemente nos meus pés. O Gráfico, que havia desaparecido do meu campo visual, é substituído pela folha. Na Komachi reina o silêncio, olho para a Ludwigia se preparando para o anoitecer.
Entro e fecho a porta da cozinha.
Coloco o fone de ouvido, a Misia continua cantando.
“I belive
Kawaranai mono ga aru.” Sou levado pela suave voz da cantora.
“Maria”
“O que é?”
“Acabei de completar. Dê uma lida, é a versão definitiva. Se tiver alguma sugestão...” Levanto, saio da frente da tela do MC. Vou dar uma volta, a pedidos, na loja de departamentos que existe nas proximidades.
Ufo Catcher, 100 shop, mangá e outras cousas mais.

Tani

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

JACQUES DERRIDA, Desconstrução e Rede.

.

JACQUES DERRIDA, O EXPOENTE DE UMA ÉPOCA

Falar sôbre Derrida é relativamente fácil, mesmo para quem nunca esteve em contato com ele. Mais ainda, mesmo para quem nunca esteve na academia. Basta colher informações, definir a abordagem e copidescar.
Para exemplificar veja abaixo o Derrida da WIKIPEDIA.

"Jacques Derrida (El Biar, Argélia, 15 de julho de 1930Paris, 8 de outubro de 2004) foi um importante filósofo francês.
Criador do método filosófico chamado desconstrução. O seu trabalho é frequentemente associado com o pós-estruturalismo e o pós-modernismo (esta última associação encontra-se presente tanto quanto Jean-François Lyotard é a relação mais próxima entre a desconstrução e o pós-modernismo, propondo uma significação filosófica deste último). Entre as principais influências de Derrida encontram-se Sigmund Freud e Martin Heidegger."

Só neste pequeno trecho vê-se uma grande quantidade de links. E links esses que desembocam em outros sites que, por sua vez, se multiplicam em outros sites mais. Sites que significam informações que, por sua vez, podem se transformar em fontes de consultas e referências: citações.

Assim, falar sôbre Derrida, desconstrução, pós-estruturalismo, pós-modernismo, Lyotard, Freud e Heidegger poderia ser um excelente início de uma dinâmica de grupo, ou o início de uma Rede.

Pois se a partir de uma fala particular outros, adotando o mesmo mecanismo, fizerem o mesmo e incluindo os particulares dentro de um contexto, fechando assim um círculo, estaríamos estabelecendo aí um círculo de amizade dinâmico no mínimo bipolarizado.

De bipolar para rede...

Coloquei Derrida somente a título de exemplo, podendo ser outros temas quaisquer. Pode se falar de jardinagem, natureza, aquarismo, turismo, culinária etc.

.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Namastê, Jaq!

NAMASTÊ, JAQ!


Levanto animado. Dormi bem e foi um sono profundo.
Harajuku, Tókio. Quando penso em Pé na Estrada recordo Harajuku. Muitas cousas convergem para os arredores da Estação JR Harajuku, para o pequeno quadrilátero que envolve a rua Takeshita e a avenida Omotesando.
A Toshi está preparando o café da manhã.
“Mama, que horas são?”
“Oito e quinze.” – responde ela. Levanto, pego o violão, uma das minhas primeiras aquisições no Japão, e faço a seqüência melódica de “Garota de Ipanema”.
“Olha que coisa mais linda
mais cheia de graça...”
Estranhei quando vi, pela primeira vez, os jovens de Harajuku. Foi como se estivesse vendo o Djalma na minha frente. Ele, nas décadas de 80 e 90, era um espelho da geração hippie. Na verdade nunca se ligou ao movimento, mas sempre agiu como tal. Cabelos longos, sandálias, mochila nas costas, desprezo pelas coisas mundanas e ecos do oriente.
“Namastê, Djalma!”
Tínhamos contatos esporádicos e somente de final de semana, quando então falávamos um pouco de tudo. As nossas referências eram o sistema, a sociedade e os mestres. Vivíamos em um mundo à parte, eram estes os nossos sentimentos uma vez que éramos nós, a Sociedade e sistema à parte.
Falávamos das cousas do mundo e de colocar o Pé na Estrada, nisso o Djalma era experiente de maneira que a nossa amizade foi longa.
Começamos a divergir no final da década de 90. Finalizamos os nossos contatos em 92, e com uma inversão.
“Vou dar uma de Ulisses.” – comentei para um atônito Djalma. Não estávamos nos entendendo mais, ele havia se encaixado no sistema. Passou a ter uma atividade mais regular, mais por questão de sobrevivência do que qualquer outra cousa. Eu, por outro lado, havia iniciado um período equivalente aos dos seus anos 80 e 90.
Olho para o relógio, nove e quinze. Continuo com a “Garota”.
“Moça do corpo dourado
do sol de Ipanema”
“Mama, ainda bem que amanheceu limpo!” – comento.
Ela olha através da janela da cozinha e observa o céu claro, sem nuvens. Responde confirmando o meu comentário.
“Porque ainda bem?”
“Vou para Harajuku! Lembra-se?” Fora a decisão da semana. Na viagem anterior havíamos caminhado nas proximidades ou no bairro Shinjuku.
A Toshi termina de coar o café, assa um pão de forma e cobre com margarina. Oferece para mim e faz o dela. Falo da minha empolgação com o bairro.
“Você gosta de lá não?”
“É que me faz lembrar do Djalma.”
“Djalma?”
“Sim, um amigo. Éramos do contra. Sabe? Contra o sistema. Bons tempos aquele.”
O sistema era tudo ou quase tudo, era o governo, a policia e a política. Tinha náuseas, sentia uma repulsão visceral a tudo que lembrava poder. O Djalma levava esta posição ao extremo.
“Eram rebeldes então.”
“Sim, ao extremo. Não exatamente eu, tinha o meu lado conservador. Gostava do ambiente acadêmico e tinha consciência de que tinha os meus privilégios. No caso do Djalma era Deus no céu, os homens e ele na terra.” Não queria compromisso com ninguém a não ser consigo mesmo.
“Olha a ironia do contraste. No nosso ultimo encontro ele estava de terno e gravata. Para ele eu havia capitulado uma vez que estava com a passagem da JAL nas mãos. Na verdade eu simplesmente estava colocando o Pé na Estrada, ele é que havia se encaixado no sistema.” O final da década de oitenta havia sido peculiar para o Djalma, o sistema havia atingido o vale. As referências anteriores como o Paulo Coelho e Castaneda não lhe serviam mais, não havia mais nada a fazer a não ser capitular.
A Omotesando está interditada nas proximidades da Estação JR Harajuku.
Jovens tomam conta das duas pistas da avenida. A maioria simplesmente passa observando os contrastes do local. Uma jovem gorda senta na calçada. Ela se realiza sendo o alvo de atenções com o seu véu, a grinalda e os lábios carnudos lambuzados com um batom vermelho cintilante.
Uma dupla faz a sua performance com um violão e um sax. Gostam de Harajuku e, em particular, do ambiente da Omotesando.
“JAQ & LITTLE BAND”
O Jaq abre uma pauta musical fazendo pose com o seu sax. O seu companheiro de violão usa uma camiseta listrada vermelha e calça preta. Canta, mais declama do que canta.
Escovo os dentes e penteio o cabelo. Vou para a área de serviço. A silhueta do Fuji domina a área, os seus lençóis freáticos alimentam o rio que corre nas proximidades e a água que sai da torneira. Preparo para a viagem.
“Depois conto como foi.” – digo para a Toshi.
“Te cuida.” Tomo o bus que, em uma hora e meia, me leva até Shinjuku. Em Shinjuku tomo o metro rumo a Harajuku.
O metro para na Estação. Subo a escada que vai dar na passarela, caminho pela mesma ganhando a saída principal. Caminho para o lado direito de quem sai da Estação. Dou de frente de uma área livre onde grupos de jovens realizam performances. Encontro com a jovem gorda, ela está olhando para um espelho de mão. Os seus lábios carnudos lambuzados pelo batom vermelho cintilante refletem no espelho. A sua colega do lado, igualmente fantasiada de noiva, ajeita o seu vestido branco. Estão à margem, sem serem marginais. Elas demonstram as suas rebeldias vivendo no interior do sistema, o vestido de noiva custa uma pequena fortuna.
Rua Takeshita, um formigueiro humano.
Vejo uma foto de Kimutaku, ela está no meio de inúmeras outras. Pego e vejo que ela não está produzida. Nela Kimutaku parece como um qualquer que está caminhando pela Takeshita, sem a aura que normalmente o envolve quando se apresenta nos seus shows e programas de TV. Caminho mais e acabo saindo da Takeshita.
Avenida Omotesando, grupos de performances.
Encontro com um animado Jaq.
Na sua frente, em um pedaço de papelão, lê-se o recado.

“JAQ & LITTLE BAND
4.22 Ruido / 5.15 Garage”

Farão as suas estréia nas “discos” Ruído e Garage nos dias vinte e dois de abril e quinze de maio.
O Jaq está com o cabelo tingido de vermelho e usa um vistoso brinco. É alto e o seu sapato de salto ressalta ainda mais a sua altura. Está transfigurado, vivendo e sentindo o sabor da liberdade. Se funde nas suas canções, no sax, na sua Pequena Banda e no público. O seu companheiro de violão toca preguiçosamente. Age como se fosse o pano de fundo da Banda.
O Jaq pega o sax e simula um êxtase, ensaia alguns passos de dança.
“Lembro como se fosse hoje
o dia que te encontrei.
Você estava linda, sorridente.” – declama.
Na frente da banda um grupo de jovens aplaude cada término de apresentação.
Sinto um arrepio subir pela minha coluna, os meus pensamentos se voltam para a Toshi que está esperando o meu retorno. Recordo nitidamente o ultimo encontro que havia tido com o Djalma, é como se a continuação de tudo aquilo estivesse no Jaq. A noite começa a colocar o seu negro manto sobre Harajuku. Mesmo sem o meu violão acompanho-o com o ultimo verso da “Garota”.
“Ah! Se ela soubesse que quando ela passa
o mundo inteirinho se enche de graça
e fica mais lindo por causa do amor.”
Naquele momento tudo se passa como se mundos estivessem se fundindo.
“Namastê, Jaq!”

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Página Inaugural

.
Inauguração do Blog

Bom, espero que goste deste blog.
Iniciei hoje, dia 6 de julho de 2007, em uma plena sexta feira de manhã. Deveria estar dormindo, acontece que trabalhei a noite inteira e, de fato, agora pouco estava cochilando.
Entre um cochilo e outro instalei um antivirus e o office, considerei preparado o meu computador e parti para outra.
Criei este blog e esta é a sua página inaugural.

Namastê
Tani
.